sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Bem ele é meu filho"- Jer Bulsara



Daily Telegraph article SUNDAY TELEGRAPH, music news 16 october 2011 by Sheckar Bathia - Jer Bulsara (Entrevista publicada originalmente no fanzine do International Queen Fan Club/2011)




Tradução: Márcia Bulsara




Para sua legião de fãs, ele era uma extravagante estrela do rock britânico .Mas, por detrás de tudo, na verdade, a identidade de Freddie Mercury era algo mais complexo e exótico como demonstrado na foto dele.Nascido Farrokh Bulsara, em uma família indiana que morava em Zanzibar na África, o bebê da foto em preto e branco no carrinho sendo cuidado por uma babá africana em sua casa colonial, um dia chamaria-se Freddie Mercury. Ele conseguiu fama e riqueza antes da AIDS ceifar sua vida aos 45 anos de idade.
Quando se tornou uma estrela mundial, pouco se falou da sua infância. Freddie Mercury foi levado pelos pais para Inglaterra em razão de uma sangrenta revolução e lá construiu uma nova vida.As imagens da sua vida antes da fama, revelam como sua família demonstra seu orgulho em relação à sua origem e agora se prepara para o vigésimo aniversário de morte do filho famoso.
A família de Mercury eram parsis zoroastrianos, religião cujos ancestrais cultuavam na Pérsia(hoje Irã).
Enquanto frontman do Queen, havia rumores de que ele negava sua origem.Mas sua família é parte essencial de sua identidade.Seu pai Bommi, nasceu na Índia e como muitos fugiu para África para trabalhar como um funcionário do estado, trabalhando como caixa da suprema corte do governo britânico em Zanzibar, na época uma colônia da Grã-Bretanha, levando consigo sua esposa Jer.Lá eles criaram Freddie e sua irmã mais nova Kashmira.Quando Freddie fez 8 anos foi enviado para St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Bombain, na Índia, onde começou a ser chamado Freddie pelos colegas. Foi lá também que formou sua primeira banda - The Hectics. Nesta época também mostrou seu talento para o piano.




Sra. Bulsara lembrou: Ele estava muito feliz .Desde o início Freddie era musical.Ele pensava em música o tempo todo e poderia tocar qualquer coisa ouvir algo e simplesmente tocar de ouvido.Ele aperfeiçou suas habilidades de piano tocando músicas indianas.




Durante os anos seguintes, Freddie voltava à sua ilha natal somente para as férias. Em 1963, no entanto, Zanzibar se tornou independente e em 1964 estava à beira de uma revolução liderada pelo partido africano. Muitos ingleses e indianos tiveram que abandonar a ilha por razões de segurança, entre eles a família Bulsara, que acabou se instalando em Feltham, Middlesex, um subúrbio de Londres. Freddie tinha então 17 anos.Lá passaram a viver um estilo diferente de vida.Mercury matriculou-se em Isleworth Polytechnic para estudar design gráfico, mas era a música de que ele tanto gostava.



Sra. Bulsara, 89, disse: Uma vez, ele me disse que escreveria músicas.Aí eu, como toda mãe disse a ele que fosse estudar e limpar o quarto.Certo dia, quando fui ao quarto dele, em nossa casa em Felthan, para limpar encontrei aquilo que parecia lixo mas eram papéis com letras de música que Freddie compunha e estavam debaixo do travesseiro.Ele as guardava lá antes de dormir.Ele preferia música a estudar e então meu marido me disse que não entendia o que 'esse menino' queria fazer.Pedi a ele que fizesse algo mais relacionado a emprego, a design gráfico, e então ele disse ' espero não conseguir nada com estes empregos'.Se ele tivesse ido a algum destes empregos as coisa poderiam ter sido diferente.



Ele ficava a maior parte do tempo no quarto e em razão do barulho com vizinhos idosos que estavam se incomodando, Freddie resolveu sair de casa.




Freddie Mercury juntou-se a Brian May, Roger Taylor e John Deacon para realizar o primeiro show principal do Queen em 1973.Seus pais eram contrários ao movimento 'glam rock' que tomava conta do país naquela época, mas compareceram para surpresa de todos.




"Minha lembrança favorita dele é neste primeiro show no Hammersmith Odeon."




Sra. Bulsara diz: "Meu garoto estava mostrando o melhor de si com o apoio de Mott Hoople.Quando o show acabou as pessoas se aproximaram e aí eu e meu marido dissemos que era a hora de o apoiarmos.Eu disse: ' ele é meu filho' e Rock and Roll não era o meu estilo de vida, mas iria apoia-lo em todos os shows.Foi emocionante para mim.Em 1973 ele costumava se vestir de maneira extravagante e então pedi a ele que deixasse o cabelo curto, já que estava muito grande.Ele disse ' não, não mãe este é o jeito de ser.Mas quando o cabelo curto entrou na moda aí ele disse 'Você vê que tive que cortar o cabelo curto e então fiz isto.'




Como ele estava ascendendo musicalmente, ele não fez suas provas, mas disse a família para não se preocupar.A senhora Bulsara disse:



"Ele não se importava.Ele dizia que não queria passar a vida num ônibus porque um dia eu terei motorista e irei a todos os lugares.Pensei que meu filho estivesse sonhando."




Como ele estava cada vez mais famoso, a sua educação estaria ficando em segundo plano.Mas foi algo que ele jamais esqueceu, conforme relata sua família.As tradições fariam parte de sua vida.Suas experiências fizeram com que ele se identificasse mais com a cultura Persa em razão de sua ascendência do que com a Índia onde seus pais foram criados e ele educado.




Infelizmente, muitas pessoas andaram dizendo que havia enterrado suas raizes.Roger Cooke, seu cunhado, disse: "Para um inglês, asiáticos significa indiano.Não, em especial Freddie era persa pela ancestralidade.Ele foi acusado de negar sua herança indiana.Eu não acho que tenha feito isso, mas se o fizesse, teria sido porque ele era persa."




Sua mãe acrescentou: "Freddie era um Persa e ele estava orgulhoso disso, mas ele não foi particularmente religioso. No auge de sua fama, Mercury queria apenas sentar à mesa da sua mãe para ela cozinhar para ele.Ele queria ser o mais normal possível. Disse ela.Para a fama estaria de um lado e a família de outro.Ele voltava para casa e dizia: 'Mamãe,a senhora vai fazer aqueles biscoitos especiais?'.Sempre que ele ia para os studios e trabalhava por longas horas ele dizia queria mais biscoitos para dar as pessoas de lá e aí claro eu dizia ' por que não'.Em casa ele tinha uma vida normal e deixava seu trabalho fora de casa.Mas ele era tão bom para nós e contava-nos tudo o que acontecia.Enviava postais de todo o mundo."



Esta semana, sua mãe e irmã vão participar de uma premiação em Londres e receber uma homenagem póstuma dos Fundadores da Award para a vida de Freddie e expecional contribuição para música.Sua presença vai enfatizar a combinação de amor e orgulho de Freddie pelas suas raízes.Mas o maior conforto que sua família tem é que as canções de Mercury estão por todos os lugares.



Kashmira disse: "Estamos muito orgulhosos e felizes por ele. A banda Queen é acompanhada por 40 anos sendo que 20 anos deles sem a presença de Freddie.Isso realmente bate duro no peito porque quando vocês está ouvindo Freddie ainda hoje se perde a noção do tempo.Em novembro deste ano faz 20 anos que ele faleceu, que é um longo tempo.Ouvi-lo todos os dias parece-me que ele está por perto.Eu não preciso tocar seus discos porque ele e o Queen estão nos rádios todos os dias.




A senhora Bulsara acrescentou:"Estou orgulhosa por tudo o que surge para meu menino.O mundo inteiro parece conhecê-lo.Eles sabem quem é Freddie Mercury.Meu filho foi um gênio.E me deixa orgulhosa saber que ele continua sendo o meu Freddie e não foi esquecido.É porque Deus o amou e por isto ele nos foi tirado"



Artigo publicado no site oficial do Freddie for a day

Um comentário:

  1. SÓ POSSO DIZER LINDO, MUITO LINDO A HISTORIA DELE E JAMAIS IREI ESQUECER, POR QUE TUDO O QUE É BOM JAMAIS É ESQUECIDO. PARABÉNS PELO ARTIGO ;)

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